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Entrevista com Carl André Beckson

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RafaeL Alves
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MensagemAssunto: Entrevista com Carl André Beckson   Sex Jun 20 2008, 16:44

O Fã Clube Oficial de Michael Kiske Where Whishes Fly” publicou em seu site uma entrevista com Carl André Beckson, desenhista dos últimos discos de Michael Kiske: "Kiske" (2006), "Past In Different Ways" (2008) e o projeto "Place Vendome" (2005).



André é um artista e desenhista da Suécia que vem trabalhando na indústria musical nos últimos anos. Durante esse tempo já teve a oportunidade de trabalhar com alguns músicos mais conhecidos como: JOURNEY, STRATOVARIUS, EMPIRE, EDGUY, TONY HARNELL, HOUSE OF SHAKIRA... Estes projetos incluem artistas como Yngwie Malmsteen, Richie Sambora (BON JOVI), Eric Martin (MR. BIG), Reb Beach (WHITESNAKE, WINGER), Joe Lynn Turner (RAINBOW), Harry Hess (HAREM SCAREM)...


FANCLUB: Quais as suas influências artísticas?

André: Tenho trabalhado em desenho e arte (de várias maneiras) - durante 20 anos (completei 35 esse ano) - e passei minha carreira desenhando tipografias e fazendo logos para restaurantes e lojas para uma pequena empresa de publicidade que era do irmão da minha mãe. Aprendi as habilidades "básicas" que me fizeram interessar na arte clássica e nas velhas obras. Antes eu não me havia interessado muito pela arte moderna. Cresci com um pouco da base dos impressionistas
por suas cores marcantes e os clássicos do século 17 por sua maestria nas formas humanas. O único "movimento" no século 20 que acho especialmente interessante é o movimento surrealista.

Quatro artistas em particular tiveram um grande impacto sobre mim; Eugenè Delacroix, Fredric Leighton, Gustav Klimt e Salvador Dalí; pode se ver muitas de suas linguagens visuais em meus trabalhos. Se meu estilo tivesse um nome poderia vir de partes e pedaços de todas essas expressões artísticas que eu sou aficionado; talvez "rudimentar" é um nome que encaixe; esse poderia ser um estilo de arte que resumiria tudo, mas ainda sim mantendo sua própria, única voz.

Em meus trabalhos e desenhos, tento exagerar em paradoxos e contrastes, tanto luzes como sombras, cores quentes e frias; mas também formas associadas everdades metafóricas. De uma maneira sou um expressionista simbólico.
Expressionismo de uma maneira que não desejo sortear algum aspecto de normalidade em minha arte, mas bastante para encontrar e contemplar uma descrição de vida, e ao mesmo tempo, a vida em sí mesmo.


FANCLUB: Como começou a fazer desenhos e a trabalhar para a Frontiers?

Quando eu tinha 16 anos, tinha uma banda chamada "Last Caress" na qual estava fortemente influenciada pela cena guitarras de L.A. mas também com os maestros de guitarra neo-clássicos como Yngwie Malmsteen e Tony McAlpie. Eu mesmo, nesse tempo, era aficionado pelos chamados solos rápidos e impressionantes, e pensava que só os maestros de seus instrumentos podiam ser bons músicos, mas o vocalista da minha banda, que era muito versátil e com uma voz única que me encantava, achou que tinha guitarras demais e se foi. Depois disso me concentrei mais em escrever canções melódicas no estilo Dokken e Badlands, mas sempre com solos bonitos.

Uns anos depois, a banda "Mister Kite" surgiu, e me perguntaram (havia começado a fazer exposições com minhas pinturas a óleo uns anos antes) - se eu gostaria de pintar a capa de seu primeiro disco: "All In Time". Aceitei e pronto, me ofereceram os da gravadora Lion Music se queria fazer mais desenhos gráficos. Levei minha pasta e lhes enviei em 20 e-mails. Tive ofertas por 15 deles, e depois disso (2001), não tive que buscar mais trabalhos. Fui feliz em trabalhar com clientes, gravadoras e artistas que apreciam minha arte e querem trabalhar comigo denovo porque gostam da filosofia que há por traz delas, mas também pelo resultado que é de imediato.

O primeiro contato com a Frontiers em 2001 e tive uma resposta muito boa desde que viram meus desenhos. Logo tive meu primeiro trabalho (Brazen Abbot - My Ressurection) - o resultado saiu muito bom e adorei trabalhar com eles, e nossa união continuou. São uma grande Gravadora que entendem a cena musical e da maneira que devem gravar e divulgar.


FANCLUB: Você desenha todo o encarte ou só as imagens gráficas?

André: Na maioria das vezes faço tudo, desde o começo até o final, e isto vai desde as letras e a informação textual, o desenho da capa e todo o desenho do encarte, e os desenhos adicionais como a etiqueta do CD, Cleartray (etiquetas com o nome do artista e o título do disco, que vão nos lados do CD normalmente) e Traycards (imagens extras seguindo a cor do plástico da capa do CD) de um CD. Se é uma edição especial, como um Digipack ou um DVD, tenho que fazer mais coisas.


FANCLUB: Os músicos te dão idéias do que fazer ou você faz tudo mesmo?

André: Alguns fazem e outros só dizem: "Faça o melhor que puder", e então posso criar o que sinto que é o melhor para o artista.

Quando trabalhei para TNT, com o disco "All The Way To The Sun", - fiz uns 100 rascunhos diferentes. Como o título do disco mudou muitas vezes, houve a necessidade de um contorno diferente em cada um dos rascunhos. Foi um grande trabalho, que realmente me colocou a prova. O resultado é o disco que está editado hoje em dia.


FANCLUB: Para fazer o desenho de uma capa você precisa ouvir a música antes?

André: Não, não me faz falta, mas eu gosto de fazer isso. Sendo um artista gráfico, ilustrador ou pintor, você sempre você está adquirindo conhecimentos em sua carreira , tem que "aprender" vendo a arte uma vez e outra para que entenda todos os pontos de vista. Para o novo disco de Kiske, tive que ouvir as canções antes, mas não em suas versões novas, e por isso, tive que criar algo que encaixava nas novas sensações.


FANCLUB: O que é mais difícil fazer, uma capa ou o logo para uma banda?

André: O logo, porque é uma parte integral do estilo visual de uma banda, tem que encaixar de maneira perfeita, uma capa é mais versátil, mais aberta para a imaginação. No logo você tem que ver claramente do que a banda se trata.



FANCLUB: Com que artista gostaria de trabalhar?


André: Existem vários, mas deixa-me ver alguns:

Yngwie Malmsteen - meu velho ídolo
Paul Gilbert - outro ídolo e favorito
Dokken - desde sempre...
Iron Maiden - gostaria de fazer uma versão de "Eddie"...
Europre - "The Final Countdown" foi um dos primeiros discos que comprei...
Dream Theater - músicos fantásticos...
Helloween - é o momento de se desfazer das abóboras...
Tobias Sammet - Já trabalhei para o Edguy, mas Mr. Sammet tem outros projetos
interessantes como Avantasia que eu gosto...
Motley Crue - posso fazer grunge também...
George Lynch... e muitos mais...


FANCLUB: Você trabalha para muitos músicos mas gosta de música?

André: Trabalho para muitos, desde 2001 são mais de 300 discos e com uns 150 artista diferentes.

Sim, gosto de música... A música é a essência da comunicação. Falando você só solta palavras (na maioria das vezes), mas com música, toca o coração e a alma, chega mais longe em um ser humano. Mas é claro, você não pode ir a um supermercado e cantar: "Onde está o leite?", há um momento e lugar para tudo.


FANCLUB: O que você acha de Michael Kiske como cantor e músico?

André: A voz de Kiske me inspirou imediatamente desde a primeira vez que o ouvi no disco "Keeper Of The Seven Keys Part I". Antes só ouvia cantores americanos ou suecos, sua voz me impressionou. Há muita sensibilidade em sua voz, muito madura e continua sensível como ao longo de toda sua carreira.


FANCLUB: É fácil trabalhar com ele? Ele te diz o que quer ou te da liberdade?

André: É muito fácil trabalhar com ele porque ele te diz o que gosta e o que não gosta. Escuta minhas idéias e as comenta sem rodeios, e isso é porque tem bom olho para a arte. Muitos músicos só têm ouvidos para a música, mas sinto que Kiske tem ambos. Eu guardo seus comentários e em meus trabalhos, o mais importante é que o artista fique contente. Não faço desenhos para que cresça meu próprio ego. Sempre sinto que meu melhor trabalho estar por vir e sou humilde. É uma honra pra mim fazer desenhos que viverão mesmo depois que eu tenha ido. Trabalhar em qualquer disco do Kiske é algo que me faz sentir muito orgulhoso.


FANCLUB: O que pode nos dizer sobre a nova capa?

André: Eu gosto de trabalhar com muitos significados, símbolos e emoções quando faço desenhos, isso porque tenho muitas idéias quando ouço a música para qual estou desenhando... Estas versões acústicas de canções velhas do Helloween que estão sendo gravadas, com um Kiske mais maduro e acho isso fascinante. Amo a voz de Michael e ela transmite um felicidade que eu sinto quando a ouço - percebo especialmente pelo sentido abstrato da minha mente - é inspirador...

Há uma coruja na capa, e uma espécie de relógio gigante, símbolos alquímicos, e também símbolos de fé e coragem, momentos passados, o passado e o futuro.. Pode parecer como se a capa estivesse cheia de detalhes, mas não é assim...

Imagine a você mesmo despertando de um sono no qual está dormindo e ao mesmo tempo vendo momentos distintos de sua vida. Quando era jovem e quando estava crescendo, algumas lembranças do passado e se apagam lentamente. Escuta uma canção que te lembra algo, mas é nova. Quando você mescla e pega fragmentos de tudo isso - tem uma vida; e a vida é alquimia, ao invés de criar ouro, cria substâncias, cria o significado da sua vida... A capa e o desenho tratam de capturar tudo isso, e talvez algo mais além...


FANCLUB: Quando você vê seus desenhos mais antigos o que sente? É muito crítico consigo mesmo?

André: Em alguns casos choro porque me pergunto "Em que merda eu estava pensando?". Isto me ocorreu uma vez, na maioria dos casos, sempre sei que vou fazer depois e conheço minhas limitações. Assim que não me aventuro longe demais de minhas habilidades artísticas, inclusive os desafios que me encantam, sou realista e dessa maneira posso suportar a maioria dos desenhos que estão feito.


FANCLUB - Para ser um bom artista gráfico, é necessário ser bom pintor?

André: É uma boa pergunta, e a resposta é tanto sim como não. Depende do que decidir fazer com a arte. Se é um artista simbólico (pintar gente, coisas, etc. isso necessita muitos detalhes), necessita aprender a manejar sua habilidade. Pintava óleos desde os 7 anos antes de começar a pintar com o computador; aprendi o básico e pude usar meus desenhos digitais como se fossem um livro de desenhos. Na arte, é necessário se expressar com as ferramentas que tem. É claro que precisa saber tanto como usar um pincel no mundo real como no digital.


FANCLUB: Quais são os programas que você mais usa?

André: O melhor software é o cérebro Smile Depois disso eu posso dizer o Photoshop CS3 (a melhor versão do programa até agora), Painter IX, Adobe Lightroom (ainda que em alguns casos eu uso minhas próprias fotos), InDesign, Acrobat e Microsoft Word para fazer o desenho de documentos...



FANCLUB: Você prefere usar fotos ou imagens vetoriais?

André: Nunca uso imagens vetoriais nos meus desenhos, só em alguns logos. Arte vetorial é genial para se ver, mas não é meu estilo...


FANCLUB: Há alguma área em particular (litografia, ilustração, desenho
gráfico, desenho de webs, tipografias) no seu trabalho que gosta mais?


André: Gosto muito de criar mundos do nada e eu faço com minhas capas, na arte "real", eu gosto de desenhar e acho melhor fazer assim. Jogue uma paisagem qualquer nos desenhos de Gustav Klimit e você verá que te leva toda uma vida para deixar os desenhos perfeitos. Eu tento fazer isso. Também gosto de desenhos de webs, mas nunca tenho muito tempo para faze-los, é a razão pela qual minha própria web está permanente em "Almost Done" Smile

Como Kiske, eu também tenho a necessidade de escrever, portanto eu também escrevo enredos e poesias, mas não tenho muito tempo pra isso...


FANCLUB: Na arte, você está concorda com a frase "Menos é mais"?

André: Sim, mas também num piscar de olhos dos surrealistas, que dizem que não há regras, mas as regras que nunca foram feitas, significa que ainda que "menos é mais", pode haver espaço suficiente para fazer algo diferente desse ponto de vista.


FANCLUB: Quais teus planos para o futuro?

André: Continuar com meus desenhos para a indústria musical, e também estou buscando artefatos que usarei em artes de cristal, vou a Europa este verão juntar informações para um livro que estou escrevendo, casar com o amor da minha vida, viajar mais e ter uma vida bonita.


FANCLUB: Quais são as restrições de trabalhar com internet?

André: Há um monte de sujeira na internet, talvez uma espécie de "filtro" cairia bem. Eu estou pela humanidade, e não gosto de ver ou ler coisas que enganam nossa inteligência, diferente raças, mortes honrosas e coisas do tipo. Espero que fique melhor na nova WWW versão 2.0 quando estiver pronta. A melhor coisa da internet é que não há limites, você pode se comunicar com qualquer lugar aonde for, Eu faço isso. Meus desenhos estão por todo o mundo, mas sem a música não estariam.

Também gostaria muito que as pessoas entendessem a “cultura” na prática de "downloads" que há hoje em dia. Todos têm que apoiar a música e os músicos que dão sua vida a sua arte. Sou um apaixonado pela minha arte e gostaria muito de continuar com ela, mas sem a música eu não poderia.

Internet é uma ponte entre as cidades, mas também um portal para nosso futuro, sem ela muitas coisas não haveriam ocorrido nunca. Como seu site genial para os fãs ou esta entrevista...

Seguir trabalhando bem e apoiando a arte de Michael...

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Interview by © Michael Kiske Official Fanclub.
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